“Don't let go too soon, but don't hold on too long.”

Ter um Ferrari. Uma casa no campo, ou na praia. Poder viajar pelo mundo inteiro. Ter filhos. Mudar de profissão. Ser mais gordo, ou mais magro. Viver um grande amor. Ter sol todo o ano. Todos nós sonhamos. Desejar, aspirar, é comum a todos os seres humanos. O que nos distingue, portanto, não é a nossa capacidade (e vontade!) de sonhar, mas sim o que fazemos – ou estamos dispostos a fazer – para passar para o plano da realidade as nossas pretensões. 
Ter um Ferrari. Duas opções: a) posso juntar dinheiro durante longos anos e, de modo a poupar, escolho andar de transportes públicos durante esse tempo; ou b) compro um carro de gama inferior e assumo à partida que este meu desejo é demasiado ambicioso para se realizar. Quem escolhe a hipótese a), questiona-se se não estará a sonhar demasiado, se não estará a insistir demasiado, em particular depois de fazer várias viagens em pé, sem qualquer conforto. Quem optou por um carro alternativo, que não corresponde inteiramente aos seus gostos – embora seja confortável – questiona-se se não desistiu demasiado cedo. Tudo na vida se resume mais ou menos a isto. A escolhas. A opções. A renúncias. A persistências. A ganhos e a perdas. 
Quem é mais feliz? Aquele que sacrifica o presente, ou aquele que sacrifica o futuro?

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