Relações Públicas

Tema do dia: o mercado de trabalho. Ultimamente tenho lido com muita atenção os anúncios de emprego. E, desde então, tenho reparado nalgumas tendências do mercado de trabalho, que têm a capacidade de me eriçar todos os pêlos do corpo (que são poucos, como é óbvio). Vou-vos dar alguns exemplos:

1) No topo da lista, aparecem os estágios curriculares não remunerados. Sinónimos: trabalho gratuito; exploração. Por definição, um estágio curricular é uma etapa de um processo formativo, e só pode ser realizado mediante um protocolo assinado entre uma empresa e uma instituição de ensino. Ou seja, como o próprio nome indica, destina-se a estudantes. Não a recém-licenciados e muito menos a licenciados com experiência profissional. Contudo, muitas são as empresas – algumas multinacionais e até o próprio Estado – que, no âmbito da sua política de responsabilidade social, insistem em fazer o bem, dando a oportunidade aos jovens de vivenciarem e de porem em prática alguns conhecimentos que aprenderam nas aulas de História: a escravatura. E quando estas empresas são boas, mesmo boas, ainda podemos ter a sorte de receber algumas ajudas de custo: dinheiro para um prato de sopa e um passe de autocarro. Imaginem o diálogo:

Chulo 1: Eh pá, estamos com muito trabalho, os prazos começam a apertar!

Chulo 2: É verdade… se calhar metia-se alguém para ajudar, não?

Chulo 1: Não era mal pensado. Arranja-se alguém que seja responsável, perfeccionista, organizado, com capacidade de trabalho e de se integrar aqui na equipa.

Chulo 2: E se for uma gaja boa, tanto melhor!

Chulo 1: Eh pá, está feito! Não me apetece nada é ter que pagar a um marmanjo.

Chulo 2: Isso é fácil de resolver: Diz-se que oferecemos “integração em equipa competente, motivada e dinâmica”. Ah, e que “há a possibilidade de ingressar nos quadros da empresa após o estágio”. Os anúncios dizem todos isso!

Chulo1: Vou já tratar disso! Vou mandar pôr o anúncio no Jornal Expressa-te, que sempre dá credibilidade à coisa.


2) Logo a seguir aos estágios remunerados, aparece a profissão de “Relações Públicas”. Mas que raio é isto??? E tanto se exige uma licenciatura na área, como o 9º ano. O que é mesmo fundamental é ser boa! E em Portugal, este fenómeno alastra-se mais depressa do que um vírus. Qualquer gaja do nosso jet-set desempregada é relações públicas. Tirando a Carolina Salgado, que é escritora. E isto dá dinheiro, sobretudo se se souberem “relacionar” com velhos gagás cheios de pasta. Errei claramente na profissão.

3) Os recibos verdes. “O que nós queremos é um trabalhador independente, que limpe as nossas retretes todos os dias. O horário é das 8:00h às 20:00h, com meia hora para almoçar e 2 minutos para ir à casa de banho. O salário é de 300€. Parecem muitas horas de trabalho, mas tem que ser, porque a merda que nós fazemos é muita”.


Poderia continuar, mas penso que todos têm conhecimento (de causa) destas e outras situações que atestam a idoneidade dos nossos empresários.

Entretanto, se tiverem conhecimento de um trabalho decente, avisem-me. Mas que seja remunerado, que não tenha que passar recibo, nem ser relações públicas. Porque se é para ser fodida, prefiro trabalhar por conta própria.

A cueca

A cueca. Essa peça fundamental. A palavra deriva de "cu", de origem no latim vulgar culu. Pela cueca se mata, pela cueca se morre. Todos a usam, todos a gostam de tirar…

A cueca assume diversas funções, deixando de ser uma mera peça de vestuário destinada a proteger o… a… enfim… os “países baixos”.

Ora vejam:

1) Tem um cariz erótico: seduz (excepto aquelas que esticam até às orelhas).

2) Pode ser um fetiche.

3) Permite transportar drogas e esconder o produto do roubo em supermercados.

4) Facilita o aconchego dos copianços, isto é, dos auxiliares de memória.

5) E, função principal, permite o transporte de uma embalagem de algodão (ou de um par de meias) para derreter o gelo do… da… enfim, do “Calipo”.

Diz a tradição que o nosso destino depende da cor da cueca que se usou na passagem de ano. Assim, a cueca amarela é indicada para quem tem problemas económicos. A branca é para quem procura a paz. A vermelha é para quem não quer paz na zona da cueca. E, finalmente, a mais popular, a azul, dá sorte.

Ora aqui a Gi, como anda sempre em contramão, tem uma sugestão diferente. E se na passagem de ano, não usássemos cuecas de todo? Assim é que era! Começávamos o novo ano mais arejados e a expressão “boas entradas” ganhava um novo significado.