O algodão... engana!!

Nestes últimos dias, tenho-me dedicado ao meu desporto favorito: não fazer nada. Nada do nada. Niente. Nothing. Rien. Niets. Nichts. Ok, já fechei a janela do Google Translate. Como eu estava a dizer, tenho passado estes últimos dias esticadinha ao sol na minha toalha de praia. E todo este ócio – merecidíssimo, ressalve-se – aguça o meu já apurado sentido de observação. E é assim que quando não estou a dormir ou a comer, observo o meio que me rodeia. E a praia, devo dizer-vos, oferece um verdadeiro maná para os observadores natos como eu.


Para aligeirar as coisas, ou não estivéssemos nós no Verão, segue a lista do que gosto, do que não gosto e do que me faz rir na praia.


O QUE GOSTO:

- Sol & calor.

- Mar com pouca ondulação.

- Nadar.

- Comer na areia.

- Fazer a sesta depois de almoço e sonhar (uh, uh!).

- Passear à beira-mar.

- Ver o pôr-do-sol e não pensar em nada.

- Mexer na areia.

- Ver um homem de mão dada com uma criança, à beira-mar.


O QUE NÃO GOSTO:

- Calor excessivo.

- Vento.

- Ouvir música de rádios/telemóveis alheios.

- Crianças a berrar.

- Jogos com bolas na praia. Odeio!!! Se há coisa que me faz espumar, é eu estar refastelada na minha toalha e apanhar com uma bola na cabeça. Ontem, depois de apanhar com duas, dei por mim a imaginar-me a pegar numa faca e a cortar a bola em pedacinhos minúsculos. De verdade, estes jogos despertam o meu lado mais negro.

- Queimaduras solares.

- Ver gente a cuspir para a areia e/ou mar.

- Lixo no chão.

- Ver pessoas vestidas na água, por terem vergonha do seu corpo.


O QUE ME FAZ RIR:

- Badochas com cueca fio dental.

Por norma, defendo que as pessoas não devem ter vergonha de si próprias, mas nalguns casos – e em nome da saúde mental pública – deviam poupar os outros a algumas imagens, potenciadoras de pesadelos e traumas para o resto da vida. Ontem, mesmo à minha frente, estavam duas miúdas, com os seus 20 anos, gordas que nem um bisonte e com umas cuecas de tal maneira minis, que quando se levantavam, parecia que estavam nuas. As cuecas desapareciam, literalmente, naqueles cus dignos de registo. Falta de gosto, pensei eu. Mas depois, senti um bocadinho de peso na consciência e disse para comigo mesma: “Deve ser doença, coitadas. Por isso, que vistam o que lhes apetece.” Logo a seguir, hora de almoço. As Moby Dicks da frente pegam numa grande bacia. Mas – ufa! suspirei – é apenas uma salada. De facto, as moças devem ser mesmo doentes. O problema foi o que veio depois. No espaço de 30 minutos – sem nunca pararem de comer – mamaram: 1,5l de Ice Tea; um saco inteiro de pão de forma; um saco gigante de batatas fritas; e um gelado. Uma hora depois, uma delas ainda mamou uma sandes, porque “tinha fome”. Ó pá, são mulheres de sustento, mas por favor, que usem umas cuequitas capazes de lhes cobrir 1/10 do cu, senão vejo-me obrigada a jogar ao “Onde está o Wally?” com as cuecas delas.

- Gajos com cuecas justinhas (não calções, cuecas mesmo), com padrões esquisitos e um volume estranho em zonas suspeitas. Há dois dias vi um: um corpo fenomenal e cueca… branca e justinha. Aquela imagem perturbou-me ao ponto de eu nem fazer a sesta naquele dia. Fico sempre curiosa quando vejo assim um homem: será natural ou será algodão? É que às vezes, o algodão engana mesmo. Mas aí, caras amigas, nada como o teste da água. Se quando eles vierem do seu mergulho, o volume suspeito se mantiver ou até aumentar, não se iludam, é mesmo algodão. Se, pelo contrário, o conteúdo parecer ter diminuído, aí sim, avancem porque aquilo é mesmo deles. E esqueçam o papel de estúpidas que vão fazer quando andarem na praia com um gajo com cueca à tigre, porque – acreditem – no final do dia vão ser compensadas por toda a vergonha que passaram. Há sacrifícios que valem a pena. Palavra de Gi.

1 comentário:

  1. Bem visto. Também eu me tenho encontrado em descanso, se bem que questionavelmente merecido. E de facto a praia é um local de observação por excelência. Eu diria reflexão, mas estaria só a armar-me em intelectual. Uma temática que me aguça a vista é a dos fatos de banho femininos... nisto e em lingerie sou um verdadeiro apreciador de moda. Este ano há um biquini preto da Calzedonia que 75% das mulheres decidiram usar. Não sendo um fio dental revela a maior parte do nalguedo, o que constitui uma desculpa para as moças (e velhas) que têm vergonha de usar fio dental exibirem um pouco mais de carne. E como aparentemente há tamanho XXL destes biquinis, o desfile da pandeireta deixa de ser uma actividade exclusiva das menos gordas. Viva a democracia... ou talvez não. Outra das modas é o triquini, que é outra desculpa para mostrar mais pele nua, pois dá a sensação que mostra a barriguinha e esconde o pneuzinho. E como também há tamanhos familiares, serve também para mostrar a barrigona e infelizmente pouco faz para esconder os doze pneus do autocarro. A sério: a primeira vez que vi um foi numa moça cujas banhas pareciam estar a rasgar um fato de banho normal dando a sensação de que estava quase a rebentar.

    E é isto que faz da praia um sítio tão interessante. Como uma discoteca: todos os que lá estão observam-se mutuamente... "aquele dança como um deficiente", "o vestido daquela parece o de uma puta", "que par de...!". A praia dá espaço ao meu lado observador de bicho social. É mais forte que eu. Não consigo evitar criticar. Isso e fazer muralhas de areia enquanto a maré está a encher, na inútil esperança que consiga deter o mar.

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